Marcantonio Del Carlo desabafa “Penso se me apetece continuar nesta vida”

De férias, Marcantonio Del Carlo aproveitou o tempo também para refletir e desabafou “Às vezes, penso se me apetece continuar nesta vida de meretriz, que nos consome na ribalta cruel do sucesso que nem sempre acontece.

Penso no Rogério [Samora] que está a lutar pela vida, no Pipo [nome carinhoso pelo qual era chamado Filipe Duarte], no [Pedro] Lima, no Bruno Simões, em tantos outros que se foram e que ainda cá estão. Alguns como eu, felizmente com peças para fazer, filmes para filmar e novelas para gravar. Mas há tantos, demasiados, que lutam diariamente para ter trabalho e não o têm.

Estamos sempre dependentes de alguém que nos escolhe, alguém que julga, muitas vezes sem nos conhecer, porque não nos viu num palco, num filme ou numa novela, num exame na escola de representação que frequentámos. Não sabe que somos versáteis, camaleontes, capazes de calçar mil e uma máscaras. Só nos conhece por interposta pessoa ou, agora, nos tempos modernos que vivemos, interposta plataforma. Uma foto, um registo digital, uma aplicação de ‘não sei o quê’.

Andamos à deriva à espera que o telefone toque e que a oportunidade apareça. A nossa não é uma profissão, é um estar na vida que tem muito que se lhe diga. A nossa é uma vida de dar e receber muito pouco em troca. Mas quando a sala aplaude, tudo se esquece e queremos ser outra vez artistas. (…) Como pedia o [Raul] Solnado:”vou tentar ser feliz!”.

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