Lara, 23 anos, pediu ao filho para lhe rapar o cabelo

Jovem mãe vê doença com positividade e não tem dúvidas de que vai vencer. Uma história emocionante que teve o seu auge quando Lara pediu ao seu filho para lhe rapar o cabelo! Ela não duvida que irá vencer a doença, diz que nunca gostou de praticar desporto e sempre fez uma alimentação saudável.

Foi no início de 2019, quando estava deitada que sentiu um nódulo ao passar a mão no peito direito “Senti uma coisa mesmo muito pequena, tanto que até desvalorizei na altura. Tenho um filho de cinco anos, o Enzo, e amamentei-o durante quatro, pelo que pensei que podia ser alguma coisa relacionada com isso, mas nada de grave. Por isso, desvalorizei completamente” disse.

 

Diz que de vez em quando passava a mão e não sentia nada, noutras aparecia. Só em junho comentou com um casal amigo e foi ao médico. Foi a 20 de agosto que se queixou do nódulo, e lhe disseram que nesta idade nunca seria maligno! Fez exames, foi transferida para o Hospital de São Bernardo, e com a ecografia pediu para se fazer uma biópsia…

Quando digo que tenho alguma coisa desde janeiro, o que me dizem é que se tivesse ido ao médico mais cedo também teria sido desvalorizado, já que nessa altura era uma coisa mesmo muito pequena. E isso é assustador”, revela…

 

Ver esta publicação no Instagram

Podia ter sido de outra forma mas se fosse não seria a forma como eu esperei, idealizei. Ter cancro e ter um filho com 5 anos são duas coisas totalmente opostas, embora possíveis. Questionei-me e questionaram-me como é que eu lhe iria contar, como é que ele iria reagir, como iríamos percorrer este caminho sem o chocar. Este meu filho é tao forte. Um dia disse-lhe que estava doente, que era por isso que ia tantas vezes ao médico mas que de resto estava tudo bem. Hoje, decidi esperar que ele chegasse, juntei as minhas amigas, o meu namorado e disse-lhe “ vou-te dar uma tesoura e vais-me cortar o cabelo” ele começou-se a rir e ficou todo entusiasmado. Foi exatamente isto que eu idealizei para este momento, risos, brincadeira, felicidade. Nem tudo tem de ser mau, nem tudo tem de ser negativo. Ele adorou, eu fiquei aliviada e feliz por ele, todos nós ficamos contentes com o resultado. Tudo acabou em bem 💓

Uma publicação partilhada por LARA SILVA (@thisislarasilva) a

Nesta fase, já tinha 3 centímetros! Foram 3 semanas de angustia até saber o resultado da biopsia, tendo aumentado mais 1,5 centímetros! “Pensei simplesmente no dia em que ia chegar lá e receber uma resposta que eu já sabia: que era algo mau. Tinha quase a certeza. Mas nunca me preocupei muito com isso”.

 

Depois o grande dia… 25 de setembro, consulta para as 10, mas às 13h30 a gestora financeira, ainda não tinha sido chamada. Questionou o porquê e o médico disse que era para ter mais tempo com ela, que ia ser a última. Foi aí que percebeu que as noticias não eram boas!

Quando entrei, então, no consultório, ele deu-me um papel para ler, o relatório da biópsia, que tinha a designação concreta do meu cancro: carcinoma mucinoso invasor. Pedi ao médico para me explicar o que era e ele disse-me que era um cancro maligno. Comecei logo a rir. Ele questionou: ‘Está a rir?’. Disse que sim porque já sabia que era mau, escusava era ter-me deixado tantas horas sem comer. Não tive muito mais reação do que isso”, diz em entrevista à NIT!

 

Ver esta publicação no Instagram

Foi um momento emotivo. Eu já sabia que o ia ser, mas tornei-o no mais descontraído possível. Se não fosse assim não seria eu. Foi a coisa mais gira que eu e o enzo fizemos juntos, tornou-nos mais íntimos. Envolvi as pessoas que para nós eram mais importantes e digo-vos que o cancro não é a prova de amizades, mas as minhas são tao fortes que prosseguem la seja qual for a adversidade que eu passe. Eu adoro este vídeo, amei de coração este momento. Está doença trouxe a tona o melhor de mim e o melhor de todos a minha volta. É difícil mas não é impossível. Nada é impossível aos olhos de Deus. A nossa força de vontade comanda o mundo 🖤 Espero que gostem!

Uma publicação partilhada por LARA SILVA (@thisislarasilva) a

Perguntou se o cabelo ia cair, se teria que tirar o peito e como seria a quimioterapia, pois vive sozinha com o filho Enzo de 5 anos e não queria que ele percebesse o quão grave era a doença!

O namorado tem sido o seu grande apoio… apenas estão juntos há 6 meses… “Olha, já recebi o resultado, é maligno e vou ter de fazer quimioterapia, está bem?”, foi assim que lhe deu a noticia… depois foi comprar o presente de Natal para o filho, uma PlayStation “Tinha receio de qualquer coisa e gosto de me antecipar. Foi impulsivo, nem pensei duas vezes”.

 

Daí para cá, tem encarado a doença com positivismo “Não podia reagir de outra forma porque no fim eu tenho o Enzo, que depende de mim. É a minha forma de estar e ver a vida. Tenho de lhe passar a mensagem de que algo não está bem mas que vai ficar e muito rapidamente. Ter cancro não é estar mal todos os dias. Eu não estou mal disposta todos os dias. Estou doente, ok. Soluções? Há. Então, vamos embora”.

Quando saí de casa não era tão positiva como sou agora. Era uma criança. Ninguém consegue ser tão positivo. Mas acho que as adversidades nos fazem ver a vida de outra forma. Graças a Deus, aprendi rápido e bem. Acho que é por isso que vejo esta doença como algo passageiro. Aconteceu mas vai passar. Acho que toda a gente devia ver as coisas assim, seria muito mais fácil”.

 

Quando começou a cair o cabelo, Enzo apercebeu-se, e um dia tocou no peito e sentiu o nódulo. Lara, contou-lhe o que era “Disse-lhe que a mãe estava doente, que tinha um problema na mama e que em breve ia passar. Ele disse: ‘Está bem, mamã. Quando passar volto a pôr a mão’”.

 

No segundo dia de tratamento, a seguir à quimioterapia, deparei-me com o facto de não conseguir beber água, nem comer, e não conseguir ficar acordada. Tive de obrigar-me a dormir porque estava a ter vários ataques de ansiedade. Ninguém me disse que isto podia acontecer porque, na verdade, foi uma reação alérgica a umas injeções que me deram para levar para casa. Foi muito duro porque era tudo ao mesmo tempo, ou seja, quimioterapia, estar afastada do Enzo e a reação alérgica. Desesperei ali durante alguns minutos mas depois passou

 

Também decidi partilhar a doença no Instagram porque sou tão ativa e a minha vida ia mudar tanto que as pessoas iam perceber. Então, preferi revelar. Além disso, sabia que podia ajudar outras pessoas através da minha forma de estar. Mas nunca esperei que tivesse tanto impacto. Sabia que queria de alguma forma estar presente para outras pessoas que também precisassem

O meu cabelo era milionário, como costumo dizer. Gastei muito dinheiro com ele, era muito preocupada, e era a coisa que mais adorava em mim. Mas sabia que ia cair, era algo que tinha como garantido, e estava preparada. Às vezes, as pessoas diziam-me: ‘Mas talvez não caia.’ Eu respondia que sabia que ia cair. Não gosto que me deem falsas esperanças de algo que sei que vai acontecer. Não preciso que me digam isso para me animar porque já estou animada. Está tudo bem. Eu estou bem. Na verdade, acabei por ser a força dos meus amigos

 

Em novembro, no primeiro de novembro, Enzo cortou o cabelo à mãe.

O intuito sempre foi ser o Enzo a cortar. Não queria que fosse de outra forma porque não podia chegar ao pé dele de cabelo rapado. O choque seria enorme. Então, fi-lo em tom de brincadeira: ‘Olha, está aqui uma tesoura, agora vamos fazer uma brincadeira.’ Ele perguntou do que se tratava e eu disse: “Vais cortar-me o cabelo.’ O meu filho começou a rir e disse: “A sério? Ai, mãe, que bom.” Foi um alívio e, ao mesmo tempo, uma coisa muito divertida. Se não fosse assim, não fazia sentido para mim

 

Nunca estamos à espera de passar por uma coisa destas com 23 anos. Mas não podemos questionar. Acho que o erro está precisamente aí, em questionar como é que se lida, como se faz, como se vai fazer, quanto tempo vai ser. Isso é um erro. Ficamos tão focados nisso que não aproveitamos os momentos em que nada se passa. Ter cancro não é estar mal todos os dias. Eu não estou mal disposta todos os dias. O foco deve estar em aproveitar os momentos bons e andar para a frente. Estou doente, ok. Soluções? Há. Então, vamos embora

 

You may also like...