Tony Carreira na primeira entrevista após “ida” da filha

Na primeira grande entrevista após a “ida” de Sara Carreira, pois ele recusa-se a dizer “falecimento”, vimos um Tony Carreira como nunca tínhamos visto. Uma conversa intimista com Manuel Luís Goucha pautada com muita emoção.

Sara Carreira deixou-nos com 21 anos, a 5 de dezembro de 2020, Tony diz que nestes últimos 5 meses já passou por todo o tipo de emoções. Goucha começa por perguntar “A vida tem sentido depois da perda de uma filha?”, ao que Tony responde “Claramente que não. Eu estou a tentar encontrar um sentido, mas… é muito complicado responder a essa pergunta porque eu tenho mais dois filhos. Eles percebem quando o meu discurso é tão negativo quanto este, percebem que é a dor que está a falar. Tenho de me agarrar a eles também”.

Depois a revelação de que já deixou de pensar em si e não quer que o seu caminho seja longo. “Eu já não conto. Já deixei de pensar em mim. (…) Quando a minha filha partiu, foi de uma violência extrema. Morri por dentro. Estou a tentar encontra a minha vida cá dentro. Não tenho problemas em dizer que bebi mais do que devia. Andei ali uns tempos… eu parecia um zombie. Depois, veio alguma violência. Fui injusto com pessoas que amo muito, fui agressivo com o mundo inteiro, revoltei-me com o mundo inteiro”.

Eu não acreditava na vida depois da morte e hoje tento agarrar-me a essa esperança (…) Será dessa maneira que eu terei possibilidade de reencontrar a minha filha. É esse o objetivo hoje”.

Uma delas é que nunca mais volto a ver a minha filha e a outra é que nunca mais serei o mesmo. (…) A única coisa que me pode ajudar é agarrar-me à associação da minha filha, fazer o bem, acreditar que ela me está a ver e que o caminho que me resta cá não será assim tão longo (…) Gostava que o meu caminho cá não fosse longo”.

Mas diz que não pensa em terminar a sua vida… “Jamais pensei em terminar com a minha própria vida. Aparentemente, também não é o caminho para encontrar alguém do outro lado”.

 

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