Apresentadora da RTP prova aos médicos que estavam errados

Joana Teles diz que os médicos lhe diagnosticaram uma doença crónica, mas ela, nunca concordou com eles e foi contra eles, e provou que não sofria de nenhuma doença crónica. Um grito de revolta, espelhado numa carta na TV Guia, em que se assume que não é de regras e por isso contrariou a ciência!

A apresentadora de Aqui Portugal, da RTP1, escreveu uma carta na TV Guia onde faz uma reflexão sobre o facto de sermos todos diferentes, isto depois de ter vivido uma situação complicada relacionada com a sua saúde. “E porque é que a sociedade e as suas regras nos afogam e distanciam do nosso verdadeiro eu, da nossa identidade e singularidade?”.

 

Não sou de regras. Nunca fui. Isto não faz de mim uma rebelde. Faz de mim alguém que pensa pela própria cabeça. Alguém que segue as regras da sociedade mas que se recusa a aplicar as “normas sociais” na sua vida pessoal. Convém dissecar melhor o que defendo.

Seguir as regras da sociedade é estar integrada nela, contribuindo para uma vida harmoniosa, com objetivos e bens comuns. Aqui enquadro-me. Seguir o socialmente imposto como sendo a regra da normalidade social é que já colide comigo. Não somos todos iguais. Felizmente que não. Nascemos com a nossa essência, talentos e dons. Crescemos e começamos a ser alimentados para deixar florescer o que somos ou começamos a ser profundamente reprimidos. E aqui entra o papel fulcral da família, mas também o da sociedade, com a sua banalização da pessoa enquanto ser global e nada individual. Porque é que temos todos de sermos bons alunos, tirar um curso superior, arranjar um bom trabalho das 9h às 17h, casar, ter filhos, comprar casa, ter um carro… etc, etc? Porque “alguém” firmou essa forma de viver como sendo normal e isso foi passando de geração para geração.

 A boa notícia é que há muitas pessoas que percebem que a vida é delas e fazem as suas escolhas. A má notícia é que a maioria continua neste embalo cego. Chamo-lhe “caminho traçado pelos outros”. Ele é composto por uma vida socialmente estruturada, cheia de regras, normas, diretrizes. Quando seguimos o socialmente imposto, é como se estivéssemos todos num rio, com a possibilidade de remarmos num sentido diferente, mas mesmo assim deixamos os remos onde estão e deixamo-nos levar. E quando o caminho nos leva para um precipício, acordamos tarde demais e ficamos a pensar no que teria acontecido se tivéssemos pegado nos remos e seguido aquele caminho que “sentíamos” que deveríamos ter feito, mas que, por conforto, por medo, por pormos muitos ‘ses’ na equação, acabamos por não fazer. Não há´ dor maior do que a do arrependimento.

Se todos somos diferentes, porque é que temos de ter vidas iguais? Acredito que cada pessoa tem um dom especial, mas são poucas aquelas que as põem em prática. Porque a sociedade e as suas regras nos afogam e distanciam do nosso verdadeiro eu, da nossa identidade e singularidade. Em toda a minha vida, quando fazia algo que não queria ou que sabia que não me acrescentava, gerava um conflito interno tal que essa manifestação passava do mental para o físico. Chegaram a diagnosticar-me uma doença crónica, que eu, por encontrar o meu equilíbrio, provei que não a tinha.

Estas minhas palavras não têm o objetivo de moralizar. Ninguém tem esse poder. Estas são apenas as palavras que se soltam desta minha varanda da esperança que abri, por acreditar que todos somos especiais, talentosos e dotados de um dom. Porque as varandas mostram-nos o mundo para lá das nossas casas. Uma metáfora para o que se passa quando abrimos as varandas da nossa individualidade e vemos para lá da “normalidade.”

 

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