Carla Matadinho pede ajuda a António Costa

Diz ter chegado ao limite com as regras de confinamento impostas pelo Governo em relação ao teatro! Carla Matadinho apela ao primeiro ministro em carta explosiva… em que dá a entender que chegou a um sufoco financeiro, ao limite…

Caro Sr. primeiro-ministro. Faz hoje precisamente um ano que nós (equipa da Yellow Star Company) confinámos. Um enorme vazio, incerteza, medo, incredulidade invadiu o nosso espírito. Para sermos honestos, nem sabíamos bem o que significava essa “tortuosa” (ainda que salvadora) palavra: confinamento! A razão de ser desta missiva é a de destacar, um ano depois, o que nos vai na alma. Já não é tanto o medo (que naturalmente ainda temos), nem o vazio (que acabámos por nos habituar) ou a incerteza (apesar de a vivermos), mas é, sobretudo, para dizer que, 12 penosos meses depois, encontramo-nos incrédulos como nunca!

 

Depois de termos sido (a Cultura) os últimos a desconfinar! Depois de termos visto a nossa atividade reaberta com apenas 50% da lotação. Depois de termos sido sujeitos à alteração abruta e compulsiva dos horários dos espetáculos! Depois de termos sido privados, durante dois meses, de trabalhar aos fins de semana, que são “só” os dias mais fortes! Depois de termos TODOS percebido que as salas de espetáculos são dos locais mais “seguros”! Depois de tudo isto, somos novamente confrontados com um desconfinamento em que o teatro volta a ser tratado como se fosse um dos “7 bichos papões”… apesar de nunca o ter sido.

Depois de tudo isto, decidimos dizer que estamos incrédulos e que não nos conformamos, que queremos abrir já. Não porque somos inconscientes, mas porque temos a noção de que a vida tem mesmo de continuar (e com todos os cuidados possíveis), mas TEM MESMO de continuar, senão… acaba. Senão, acabamos! E mais um mês sem faturar é cavar mais metros neste fosso onde nos encontramos e de onde não sabemos quando regressaremos, pelo que todos os dias contam, todas as sessões nos fazem muita falta!

E porque achamos que temos razão no que estamos a solicitar, decidimos fazer uma espécie de gráfico comparativo entre as escolas que, como sabemos, não são considerados espaços de risco e as salas de espetáculos que, como ficámos novamente a perceber, ainda são zonas de risco elevado (?!).

Deixo à sua consideração o estudo escrupuloso deste gráfico, na certeza de que o mesmo não o poderá deixar indiferente, eventualmente, ficará tão incrédulo quanto nós estamos, no que respeita à data que foi atribuída para a reabertura das salas de espetáculos. Se nos permite, Sr. primeiro-ministro, gostávamos que revisse esta decisão, e que fizesse uma espécie de análise “à la” VAR futebolístico, pedindo para que esta “jogada” fosse revista, pois está claramente ferida de “ilegalidade desportiva”!

Se nos permite mais uma metáfora futebolística: não fomos nós que fizemos falta na área do adversário! Pelo que o cartão vermelho é injusto. Queremos jogar já no próximo fim de semana!”.

Certa da sua atenção, com os melhores cumprimentos

 

You may also like...