Nega atirou atriz para fora do mundo da televisão

Em conversa com Daniel Oliveira, atriz recorda parte do seu passado difícil. Do abandono do pai, ao assédio sexual de que foi vítima no mundo da televisão! A atriz começou no mundo da televisão na série Super Pai, ainda era criança, e foi também durante a infância que os seus pais se separaram.

Diz que dessa altura, com cerca de 4 anos de idade, as memórias que tem é de estar à espera do pai, numa cadeirinha, para que este a fosse buscar para passar algum tempo com ele, mas as horas passavam e ele nunca chegara. “O meu pai não morreu, o meu pai decidiu não aparecer. Em miúda pensava muitas vezes porque é que o meu pai não quer ser meu pai? Será que não sou boa filha? O que posso fazer para ser boa filha? Não encontras essas razões, não sei o motivo”, revelando que continua afastada do pai.

 

Depois o momento em que foi vítima de assédio sexual… momento esse que a atirou para fora da televisão durante dois anos. devido a uma situação muito delicada…

Eu sabia porque é que não estava a ser escolhida… Nunca falei disto. Foi uma aproximação menos profissional por parte de uma pessoa com muito poder dentro de uma estação de televisão, de uma produtora, que queria uma atenção que não era profissional da minha parte. Tentou que houvesse ali mais alguma coisa. No início não percebi o que é que se estava a passar, achei que era uma questão profissional porque a primeira abordagem foi essa, vamos almoçar e falar do projeto. Esse almoço nunca chegou a acontecer, e ainda bem, porque claramente não era essa a intenção, falar do projeto”.

Diz que sempre quis manter as coisas o mais profissional possível, sem revelar o nome da pessoa, disse que “Uma mão, um cumprimento que ficava no sítio que não era suposto. Um beijo que me deixava um bocadinho constrangida, mas às tantas tu pensas que se calhar a pessoa é assim, muito afetuosa, e ficas a sorrir timidamente e afastas-te. Mas depois disso ia passando para intervenções mais diretas, de dizer que estava bonita, que me tinha visto não sei onde

Quando comecei a ficar mais desconfortável com a situação tive de pegar no telefone e disse que se fosse uma reunião ou um almoço de trabalho a minha agente iria comigo. Se não fosse essa intenção então não haveria qualquer almoço ou jantar. Essa pessoa disse ok e desligou o telefone. Depois, mais tarde, durante as gravações, estava na maquilhagem e a pessoa chegou, agarrou-me no braço e perguntou-me ao ouvido se era a minha última decisão. Eu disse que sim e ele respondeu-me que nunca mais ia trabalhar ali”.

A maquilhadora teve de me maquilhar o braço porque fiquei com os dedos marcados. Assim que o projeto acabou, o meu nome era proposto e… estive cinco ou sete anos sem trabalhar naquela estação”.

Mas não ficou por ali… “Sei que fui vítima, mas sentia-me culpada porque pensava se em algum momento tinha dado a entender alguma coisa. Mas tinha a certeza que não tinha dado, que nunca tinha permitido qualquer tipo de aproximação que não fosse profissional dentro do local de trabalho. Não sabia o que fazer, não podia apresentar queixa, sendo que as mensagens que tinha eram profissionais”.

Custa-me pensar se essa pessoa conseguiu tirar proveito de outras miúdas, persuadi-las. Custa-me pensar isso, de não ter dito nada e haver outras atrizes que se calhar passaram o mesmo que eu e não sabemos porque não falamos sobre isso. Na altura já era uma figura pública”, concluiu.

 

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