Diretor clínico do Hospital acusa mulher que sofreu queda de não ler avisos

Fernanda Campelo caiu dentro do hospital e o médico disse-lhe que para fazer o tratamento tinha que pagar 300 euros. O assunto originou imensa revolta na família da mulher e foi um assunto muito abordado pela imprensa. 

Agora o diretor clínico do Hospital Trofa Saúde admitiu, num texto no Facebook, que a mulher caiu nas escadas rolantes do hospital privado de Alfena e tinha mesmo que pagar o tratamento. José Carlos Vilarinho diz que não lhe foi negada assistência, mas que lhe foi perguntado se tinha seguro.

Escreveu ainda que a senhora ignorou os avisos juntos às escadas e criticou a forma como a comunicação social lidou com o assunto.

Texto na íntegra:

É DEMASIADO NOJENTO…
ALFENA, A VERDADE…
A forma como as redes sociais se tornaram um recinto de assassinatos de caracter, de julgamentos na praça publica, no apedrejamento até à morte de simples seres humanos, organizações ou instituições de todas as áreas, já foi assumido e institucionalizado como algo de normal, banal, aceitável.

O facto de estes actos serem pura e simplesmente atentados ao bom nome, ao direito à defesa da honra, situaçōes que podem destruir carreiras, imagens publicas de respeito e prestígio que demoraram anos, vidas inteiras, uma acumulação brutal de trabalho e sacrifícios pessoais, deixou de ter importância.

A destruição pura e simples de vidas inteiras construídas a pulso, com sangue suor e lágrimas, ser um facto banal, aceitável e merecedora de um simples esgar de repulsa, seguidor de um bocejo ou um arroto de milhares de espectadores esparramados num qualquer sofá, é quase uma rotina diária, neste processo de banalização dos mais abjectos instintos humanos.

Basta “ denunciar” o que nos der na real gana, basta uma exaltação primária, um momento de pura reacção emocional primária e sem critério, esparramada num post de Facebook, partilhada e comentada sem contraditório, para que a velha imagem da caça às bruxas, de gente inocente queimada viva, perante o gozo e exaltação de uma populaça a cair de bêbada, mas feliz pelo triunfo de uma porca sensação de superioridade moral, sejam ressuscitadas das tristes memórias da violenta história humana.

Depois vem TVI, CMTV, RTP, com o instinto predatório de quem não resiste a um título sonante e chamativo, a pureza crua da exposição do “mal absoluto contra as pobres vítimas inocentes”, sem um pingo de ética jornalistica, sem uma dor de consciência de apurar a verdade dos factos, sem o conceito básico do direito ao contraditório.

Os miseráveis abutres do sensacionalismo jornalístico, escavando no lodo da pocilga das almas, neste espectáculo triste e deprimente de vender a alma ao demónio por cinco minutos de fama, a expressão estudada de uma indignação apenas comercial, a aniquilação completa de uma ética jornalistica como preço a pagar por umas miseráveis migalhas de share, de audiência, os novos sabujos que ajoelham perante os patrões, vendidos por um par de lentilhas, o triunfo dos porcos…
Sim, a senhora, utente do SNS que foi fazer exames convencionados caiu no Hospital de Alfena.
Ignorando os aviso expressos de forma cristalina no sentido de pessoas idosas evitarem as escadas rolantes, deixou o familiar idoso usar as mesmas escadas e embrulhou-se com o mesmo numa queda mais que previsível.

Mau funcionamento das escadas? piso escorregadio?
Obstáculos inadequados,
Elevadores avariados?
Não e não e não. Um simples acidente.
Toda a gente disponível de imediato.
Ajudar, assistir, apoiar.

Segundos depois, transportada de cadeira de rodas, está no SU, como seria elementar.
Assistida por dois médicos. Um MGF especializado em serviços de urgência. Um especialista em Cirurgia Geral.

Observar, questionar, examinar.
Vai fazer um Rx ao punho, queixa principal. Desinfecção das feridas, vai ter de ser suturada. Como teve um traumatismo craneano, será de bom senso fazer TAC cerebral.
Vai fazer aqui já uma medicação para as dores. Sim nós temos cá Ortopedistas para saber se tem fracturas. Sim temos Neuroradiologistas para relatar a TAC. Sim temos Neurocirurgião para avaliar caso haja lesão. Sim aqui o nosso Cirurgião Geral pode facilmente suturar essas feridas….

Em que parte desta descrição assistencial completa e multidisciplinar, que não é nada mais do que a nossa obrigação, se pode retirar o título: HOSPITAL PRIVADO RECUSA ASSISTÊNCIA A DOENTE QUE CAIU NAS SUAS INSTALAÇÕES…”???
Que grau de demência, de pura estupidez humana, de distorção acéfala da realidade, com clara intenção de criar o mais puro e serôdio sensacionalismo de taberna pode produzir um titulo destes?
Claro que depois vem a pergunta.

Mas como se paga isto?
Não resultando de incúria do Hospital, não tendo o doente seguro de saude ou subsistema financiador, a resposta clara na lógica que qualquer Privado é: terá de ser o próprio.
Não sendo um Hospital Publico, onde a despesa grande ou pequena é paga e suportada sempre e sempre pelos impostos de quem trabalha, a lógica não será sempre a mesma?

Estando o doente consciente, não estando em risco de vida, tem ou nao tem o direito de ser informado dos valores prováveis dessa despesa?
Ou será legitimo proceder a todos os estudos e tratamentos sem o doente ser informado?
Mas aqui a coisa ganha ainda contornos mais peversos.

A funcionária responsável por estas afirmações é avisada pelos médicos: “ esta senhora caiu acidentalmente nas nossas instalações”
Bem. Então é uma situação especial.
Acho de bom senso colocar a questão ao nosso Administrador, ao nosso Director Clinico.
Só um momento. Vamos avançar com os exames e já tornamos a falar.

Ora bem.
Quantos doentes do SNS se esbardalham desta forma neste Hospital quando cá vêm fazer exames?
Um por ano?
Um em cada 10 anos?
Um por cada Pandemia?
Então o que pode custar, que hesitação pode haver, que outra resposta pode ser considerada que não seja encontrar uma solução que respeite a vitima do acidente neste caso da mais pura excepção?

Em que o doente não opta voluntariamente por vir cá, mas aqui caiu e aqui foi assistido?
Mas entretanto já tinham optado pela glória das redes sociais, pela exibição despudurada de hematomas e sangue seco, pela ida imediata à conquista dos 5 minutos de fama de vidas vazias sem outras oportunidade deste brilho, sempre sabendo do apetite insaciável de cenas chocantes e escandalos de opereta que ajudam a encher noticiários de hora e meia da mais pura vulgaridade jornalística…

Os dados estavam lançados.
Jornalixo
É mentira. Mas que importa?
Qualquer um pode ir para as redes sociais e para as TV criadoras de Big Brothers e outros excrementos e difamar, acusar, lançar lodo sobre quem quiser…. ou tentar destruir a imagem de uma instituição.
Não vão conseguir.
Trabalha aqui demasiada gente, seres humanos dignos, que todos os dias de forma solidária, cada um nas suas funções, todos importantes, de forma abnegada, dão o seu melhor pela saude e conforto do seu semelhante.

Não vai ser esta histeria sensacionalista irracional que vai destruir o que juntos construimos.
A nossa resposta é o trabalho. Dia a dia, de consciência tranquila, o trabalho, o esforço, a dedicação, são e serão sempre a melhor resposta a estes parasitas…

E é pelo respeito enorme pelo trabalho desta gente fantástica que luta comigo lado a lado nas trincheiras que dou a voz, que dou a cara, que aqui estou sem medo… porque nada tem a temer quem dorme com a alma limpa!

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